quinta-feira, setembro 14, 2006

Viagem...

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Dissertem!

quinta-feira, junho 22, 2006

Pão e circo. Palhaços não faltam.

O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre fundem-se no mesmo impasse.
Em vão tento me explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
(Carlos Drummond de Andrade. A flor e a náusea.)
Bandeiras pelas ruas, patriotismo aflorado. O Brasil para o mundo ver. Fuga? Ilusão? Os dois. Assim podemos considerar a Copa do Mundo, pelo menos para nós, brasileiros. Não há problemas, ou melhor, eles até existem, mas são prontamente esquecidos. Ou substituídos, afinal sai do noticiário a preocupação com corrupção, violência e CPI e entra o maior problema no Brasil de hoje: os quilos extras de Ronaldo. O resto é festa. Essa realidade lembra a Roma antiga, quando o povo insatisfeito se animava com sessões de circo e saciava sua fome com o pão distribuído no espetáculo.

Particularmente, não vejo solução para esse problema cultural. Brasileiro se contenta com pouco. Basta uma bola e 22 pessoas envergando dois uniformes distintos que tudo vira festa. Ou então um feriado prolongado. Carnaval, então, aí viramos reis. Pra quê nos preocuparmos com questões como política, segurança e educação? Desde que o próximo presidente eleito não cancele o futebol ou os feriados, tanto faz quem vai colocar a faixa verde e amarela. E quando reclamamos com alguém, falamos que esse clima de festa é ilusório, lembramos dos problemas, somos taxados como falsos brasileiros.

Não quero, em nenhuma hipótese, bradar contra o nosso esporte bretão, parafraseando um trecho do hino do clube pelo qual, orgulhosamente, possuo um carinho especial. Como bom corintiano que sou e apaixonado por futebol, vejo na Copa do Mundo o espetáculo máximo do meu esporte preferido. Mas em nenhum momento me iludo. Não esqueço de trabalhar nem esqueço de cuidar dos meus problemas. Melhor ainda: não esqueço que existem problemas. E infelizmente é isso que vemos nos meios de comunicação, no espírito da população e no clima do País: esquecimento.

Não tenho nenhuma ilusão nem pretensão sobre querer mudar a realidade brasileira. Obviamente, como jornalista, devo fazer a minha parte. Sou um otimista por natureza, mas nesse caso me permito ser do contra. Mais do que não ser a solução, eu não vejo uma. Qualquer atitude para alterar essa estagnação vai totalmente de encontro ao status quo e da vontade de quem detém o poder de tomá-las. O resultado disso é o grande impasse em que vivemos. Ninguém muda, ninguém quer mudar. A Copa do Mundo é só um dos pretextos para não pensarmos nas coisas que realmente merecem ênfase, que podem ajudar as nossas vidas. Os quatro vértices do verdadeiro quadrado mágico que pode melhorar a vida do brasileiro são: memória, consciência, vontade e interesse.

terça-feira, junho 20, 2006

"Brasil joga mal"...

...tem treze letras. Seria um sinal?

Até quando confiaremos na tradição? Essa é a pergunta que não me sai da cabeça. Não adianta tentarmos nos convencer que a seleção deve dar espetáculo. Não vai dar. E se ganhar a Copa, vai ter q ganhar comendo grama. Sem pedalada de Robinho, sem chapéu de Ronaldinho Gaúcho e sem golaços de Kaká, Ronaldo e Adriano. A Copa está feia.
A única equipe que realmente deu show foi a Argentina. Massacrou os Sérvios e Montenegrinos que não eram unidos nem na hora de cantar o hino. Sorte? Um pouco, mas, sem competência, não há sorte que segure o rojão.
A Itália, tida como uma das equipes que teve uma das melhores apresentações de estréia na Copa, pode ficar de fora logo na 1a fase. Os tchecos, tidos como bichos-papões, também. A França está em péssima situação. Das equipes consideradas de ponta, apenas Inglaterra, Alemanha, Argentina, Holanda, Portugal, Brasil e Espanha já se classificaram. E sem folga. Foram poucas as goleadas.
Talvez o que se cobra tanto do Brasil é que ele coloque aquele favoritismo todo em campo e massacre os adversários, um a um sem dó. Isso não vai acontecer. Quem criou esse favoritismo fomos nós da imprensa. E, pelo que vejo na postura dos jogadores, fico tranqüilo em perceber que eles não foram contaminados com esse clima de euforia. Ganhar de 10 a 0 é o mesmo que ganhar de 1. No mata-mata, saldo de gols não importa. Importa ganhar.

segunda-feira, junho 12, 2006

Eu ia postar sobre o início da Copa do Mundo, mas um fato muito triste ocorreu na madrugada de sábado. Perder uma das melhores amigas traz uma sensação de dor terrível que eu, sinceramente, ainda não consegui digerir. Se isso for um pesadelo, eu só queria acordar. Se alguém quiser chegar pra mim e falar que isso não é verdade, também serve. Prefiro não me alongar muito e me resumir a lembrar dos momentos bons...

A Copa do Mundo é.....de quem?!

O melão finalmente rolou na sexta-feira, com os alemães goleando a frágil seleção da Costa Rica por 4 a 2. Em termos numéricos, podemos dizer que foram os donos da casa que iniciaram a competição com maior força. Contudo, se analisarmos a partida, veremos que não foi bem assim. A Alemanha possui deficiências em todos os setores e só estará na final da Copa se cada jogador jogar com 150% da sua capacidade.

As equipes que obtiveram as vitórias mais importantes foram Argentina, Holanda e Equador. A Argentina, por pegar um adversário que deu um sufoco absurdo durante boa parte da partida, a Holanda por estar em um grupo fortíssimo e o Equador por apresentar o melhor futebol do grupo da Alemanha. Não me surpreenderia se eles se classificarem em primeiro no grupo. As decepções ficaram por conta da Inglaterra, que jogou mal e só venceu devido um gol contra do Gamarra (olha o Palmeiras perdendo até na Alemanha), além de apresentar um condicionamento físico péssimo; da Suécia que ficou no empate com a fraca Trinidad e Tobago; e de Portugal, que enfrentou a Angola no ritmo de uma partida de solteiros contra casados. Cristiano Ronaldo foi um mascarado o jogo inteiro.


Resumo do final de semana:

Robben, da Holanda, foi o melhor em campo no final de semana. Cristiano Ronaldo, o pior, devido à expectativa criada. Apenas o jogo Argentina e Costa do Marfim foi emocionante de verdade. O pior jogo fica entre Portugal e Angola e Suécia e Trinidad.

terça-feira, maio 30, 2006

70 ou 82?

"Todo mundo sabe que futebol arte é coisa de viado".
Com essa frase Eduardo Bueno inicia seu livro sobre o Grêmio, que divide com o Inter o posto de principal time do Rio Grande do Sul. O futebol gaúcho é tradicionalmente conhecido pela sua "pegada" e nesse aspecto a equipe gremista nunca deixou de ser um típico representante de sua terra.
Ironia é o melhor jogador do mundo ter sido revelado no Grêmio. Ronaldinho Gaúcho é, atualmente, o maior representante do futebol arte. Do futebol samba. Do futebol brasileiro.
E é justamente esse futebol que levamos para a Copa da Alemanha. A partir do momento que a equipe é formada com o famoso "quadrado mágico", nota-se que a vocação é realmente o ataque. E, sendo esse quadrado composto por jogadores do naipe de Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Adriano e Ronaldo, conclui-se que além de atacar, a seleção tem de tudo para fazer isso com estilo.
Mas o que me preocupa é o fato de que as duas últimas conquistas brasileiras em Copas do Mundo ocorreram com um time montado em função da marcação. Era assim em 1994, quando Parreira chegou a armar um time com três volantes. Em 2002, a equipe comandada pelo gaúcho Felipão jogou em um 3-5-2. Dessa forma, as subidas de Roberto Carlos e Cafú ao ataque eram cobertas pelos zagueiros e volantes, permitindo um time equilibrado em campo.
Será o "quadrado mágico" o maior ponto fraco do Brasil? Sim e não. E a resposta depende da atitude dos jogadores em campo. Jogar com quatro jogadores de forte vocação ofensiva implica em sobrecarga na marcação SE os membros desse quadrado não ajudarem a defesa. Kaká faz isso no Milan e Ronaldinho Gaúcho terá que fazer também. Em contrapartida, acumular funções de ataque e defesa pode resultar em um desgaste físico maior. E, na minha opinião, aí que mora o perigo.
Por outro lado, o fato de manter quatro jogadores de talento indiscutível (e ainda tem o Robinho no banco) em campo, que sozinhos podem decidir qualquer jogo, deixa qualquer treinador adversário de cabelo em pé. A conseqüência é que, mesmo que não ajudem na marcação, os membros do quadrado segurarão alguns jogadores com eles, evitando que o time adversário saia em bloco para o ataque.
Caso a seleção vença a Copa, será a primeira vez desde 1970 que o Brasil é campeão jogando com uma seleção ofensiva. Vale lembrar que essa filosofia não deu certo em 1982.
Fica então a dúvida: a seleção do quadrado está mais para 70 ou para 82?

terça-feira, maio 16, 2006

GTA São Paulo

Creio que vocês conheçam a polêmica série de jogos para videogames chamada GTA, ou Grand Theft Auto - numa tradução mais livre, "O Grande Ladrão de Carros". É um jogo muito legal e divertido, sobretudo para as pessoas que não se deixam influenciar pelo personagem que encarnam durante a partida.
O jogador é um criminoso que tem como objetivo fazer carreira no crime, aumentando sua reputação. Para tal, o jogo oferece missões, desde roubar carros até metralhar a polícia e gangues rivais. Você também pode ter pontos de venda de mercadorias contrabandeadas, de prostituição etc, e com isso, fazer aquela caixinha extra que te ajuda na hora de comprar armas. Se não quiser abrir uma rede de estabelecimentos, pode-se conseguir dinheiro espancando cidadãos e traficantes pela rua da cidade.
Uma das exigências dos membros do PCC, durante essa guerra urbana ocorrida em São Paulo, era que 60 televisores de tela plana pudessem ser instalados nos presídios. Pois bem, eles compraram os aparelhos e os terão em suas celas. Poderiam aproveitar e comprar alguns Playstation 2, juntamente com o jogo GTA (pode ser o San Andreas, que é mais "do gueto"). Até eles ficarão impressionados com a semelhança da cidade e o clima caótico do jogo com a São Paulo do último final de semana.
Agora é bem mais fácil rir...
Não vou fazer nenhuma análise da situação. Aliás, o ocorrido nos últimos dias é complexo demais para um texto de blog. Envolve teorias, pensadores, ciências e teses que tornariam esse texto denso demais. Principalmente porque, para quem vive o pavor e a insegurança na pele, teoria é o que menos importa.
Espantando a crise
Vencemos. Com gol chorado, nos último minutos, com pênalti duvidoso contra, contra o adversário, a torcida....enfim, fomos o Corinthians que devemos ser. Se não vai na técnica, vai na raça.

terça-feira, maio 09, 2006

Perda de tempo

É incrível como perdemos tempo em São Paulo. Ontem, na minha habitual volta pra casa, confundi as linhas Imirim e Pedra Branca. Peguei a segunda, quando deveria ter pego a primeira. Resultado: o busão foi para o lado oposto ao que eu queria, o que me rendeu uma caminhada e uns 5 minutos a menos do meu tempo livre diário.
Quem lê "5 minutos" acha que é pouco. Mas para uma pessoa como eu, que perde cerca de 3 horas do dia no transporte público, cada minuto salvo é importante. Achei que essa perda toda de tempo era um "privilégio" de quem mora nas regiões mais inóspitas da capital paulista. Mas cada vez mais eu vejo que não é. Lógico que a distância influencia, mas eu diria que, se a pessoa não mora bem perto do seu trabalho, dificilmente ela demora menos que 1 hora para ir trabalhar e outra hora para voltar para sua casa.
Qual o resultado disso? Mais stress, menos tempo para atividades físicas, menos tempo para a família, menos tempo para a namorada, menos tempo para se divertir. A pessoa fica mais triste. A rotina se torna um monstro assustador.
A solução para São Paulo é, unicamente, o metrô. Não adianta termos mais linhas de ônibus. Isso só entupiria de vez as já infartantes avenidas da cidade. Também não adianta termos rodízio de placas. Um transporte público eficaz atrairia a atenção das pessoas, fazendo com que elas usem esse meio em detrimento ao seu carro. Convenhamos que um ônibus atual, além de não oferecer conforto nenhum, não atrai ninguém pela sua eficiência.
Retiro
E o Timão está no Paraná. Fugiu dos torcedores (errado) e da imprensa (não muito errado). Quem sabe o ar do sul acalme os ânimos dos jogadores e façam eles jogarem o futebol que sabem. Os treinamentos têm sido feitos no CT da Brisa.
Se isso vai ter algum efeito, eu sinceramente não sei. No final das contas, um pouco de tranquilidade não faz mal pra ninguém.